Besitos

Temos um arsenal de recursos para parecermos informais. O uso de expressões em outras línguas é um desses singelos esforços para colorir a comunicação. Servem para representar segurança e desenvoltura, é um pouco como cantarolar quando se está nervoso. Quando seu uso já está tão incorporado à fala que é automático, perde a exuberância calculada e sai seco como um espasmo. “Hasta la vista”, “Besitos”, “Yah”. É como se, num minúsculo gesto, declarássemos “sou descontraído e tenho um ótimo senso de humor. Não sou como esses que ficam reclamando da vida, comigo você pode ficar tranqüilo, pois não vou dar trabalho”. Não seria estranho se alguém, após um inocente “arigatô” do amigo, discretamente marejasse os olhos.

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