Nós

Não há o que esconder. Somos variações de uma única criatura, apenas posta a atuar em circunstâncias diversas. Nossa dissimulação não é nociva por seus desdobramentos, mas pela energia que nos obriga a desperdiçar.

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Analfobeta

Recém-alfabetizada, a garotinha ataca o irmão caçula:
― Você é analfobeta.
― Sou nada. Você é que é.
― Nem sabe ler.
― Sei, sim.
― Não sabe fazer nada.
― Eu sei, sim.
― Sabe fazer o quê?
― Eu sei desenhar o dinossauro de fogo da terra desconhecida.
― Isso não é fazer. Você sabe só mexer nas coisas.
― …
― Eu sei fazer. Eu sou menina, e menina faz filho.
O menino pensa, olha para baixo, coça a cabeça e então fulmina:
― Eu sei fazer xixi e cocô.

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