Um é demais

A ligação durou quase uma hora. Numa faxina mais séria, o velho colega de faculdade havia encontrado seu telefone na aba de um envelope, a meio caminho da lixeira. Apesar dos anos, a conversa fluiu com facilidade. O amigo mais ouviu do que falou e se despediu sem planos ou promessas. Com o fone ainda no ouvido e o indicador paralisado no gancho, comoveu-se com o encontro desinteressado. Lembrou, em seguida, que nada acontece de graça. Bateu o telefone e limpou o sorriso bobo da face. Aquele lá, no mínimo, estava em busca de momentos agradáveis na companhia de uma voz familiar.

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3 comentários sobre “Um é demais

  1. casa disse:

    espero que nosso encontro recente não tenha sido a inspiração para este post… foi legal pra caralho rever vcs, pôrra de nóia! mudando (+ ou -) de assunto: já viu “minha vida”, de crumb?

  2. David disse:

    Que nada. O texto não passa de uma experiência cruel com o personagem, um exercício em desconfiança.

    Já li “Minha Vida”, sim. Muito bom, adoro as histórias autobiográficas de Crumb.

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