Área de serviço

Foi quando estendia roupas na área de serviço que a menina tímida percebeu o olhar triste do menino, enquadrado pela janela nos fundos do prédio vizinho. Reparou sua presença nos dias seguintes, sempre pela manhã. Sem pensar no porquê, passou a estender as roupas sem roupa, sua nudez protegida por um parapeito providencial. Olhava o menino de canto de olho e não percebia qualquer reação. Numa dessas manhãs, tomou um susto quando viu o menino triste de corpo inteiro, desta vez agachado no peitoril rodeado de limo. Sem pensar no porquê, armou a escada de ferro que ficava encostada num canto, subiu até o último degrau e, muito séria, fingia trocar uma lâmpada.

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2 comentários sobre “Área de serviço

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