Violência urbana

Caminhava uma mulher qualquer à meia-noite ladeira abaixo, num rebolado sutil, preguiçoso; sua atenção distraída pelo ruído crespo do motor de um carro azul-enluarado de origem desconhecida, parado ao seu lado num arremedo de acostamento. Pela janela via duas mulheres ― uma delas, a que estava mais perto, num sobressalto abriu a porta do carona e puxou-a pelo antebraço:
― Você não passa de hoje.
Forçada para o interior deste carro, deparou-se com uma motorista séria a olhar para a frente, o polegar mal iluminado firme no botão de freio. De costas para todas, no banco traseiro, uma terceira apenas mirava a paisagem. Esta, tão logo o carro se pôs em movimento, segurou-a pela mão numa leve apatia e, sem desviar o olhar da janela por um segundo, massageava seus dedos, um de cada vez. Não pensava em mais nada neste mundo.

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